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12/11/2007 01:10

mais nada
Todas as histórias que contei tão apaixonadamente um dia, e que relembro de vez em quando, depois desses anos meditando sua imagem, brigando com o meu pensamento em ti, soam agora como um afago no peito, essas coisas suas que me jogas assim, sem aviso, aos poucos, suas memórias perdidas me tocam como um aconchego em algo que era tão bom, como um abraço de mil braços. Um carinho no meio de uma alma deserta. E qualquer respiração sua me sopra um vento de recordações tão íntimas, revolta meus cabelos, discretamente arrepia meu dorso. Você é isso, o que foi. E por isso tantos anos. Tudo que te participa, tudo que tem seu cheiro, suas marcas, me traz agora sensações boas do que por vezes, assim sem querer, esqueço, e que acaba voltando desse jeito, como uma velha lembrança gostosa, um lamento triste mas satisfeito, é verdade.
Eu te vejo por essa lente dos retratos em preto e branco, agora já amarelados e cheirando a tempo; esse cheiro só perceptível nos livros guardados a mais de, pelo menos, dez anos e (re)descobertos assim, do nada. Eu falo com a voz das histórias antigas das fazendas, das lendas do interior, das senhoras ativas de 90 anos, eu tenho essa voz velha e rouca que fala de saudade sem sofrer, que fala de amor sem ressentimentos, e que não joga mentiras num ar já espesso, que não pode perder esse tempo a falar sobre o que não é. Eu falo a verdade, que se for mesmo saudade, eu assumo. Que se for mesmo amor, que assim seja. Mas esquece esse papo de rancor, que isso já não cola. Não tenha essa pretensão e escute a minha voz velha e rouca dizer: "eu não gosto mais de você". Não quero que se sinta mal com isso, é que de repente me deu vontade de te amar de verdade, e por isso tive que esquecer tudo o que já foi. Mas me dê um sorriso agora, que eu já não sou mais capaz de odiar suas coisas como uma boba, e nem de ficar brava por sua causa ingrata.
Eu apenas te amo simplesmente.
E mais nada.
enviada por Eloisa Lopes.
12/11/2007 01:08

frio
e quase sinto dor. ou sinto a quase-dor. a pós-dor.
faz mais frio do que quando não havia nada,
quando havia apenas o vácuo.
faz mais frio do que quando era apenas eu.
faz muito frio do lado direito.
o lado onde melhor se encaixavam conceitos doentios e sem sentido,
agora há cinzas.
faz frio e é por dentro.
o coração não bate, mas treme de frio.
ô meu deus. o que é isso?
não deveria estar quente aqui?
o universo é vazio, vem.
deu na TV que fará frio e o mundo vai acabar, vem.
eu li num livro que tudo é sombrio, vem.
e além do mais, por estes lados um sol nascerá daqui a poucos minutos.
amanhã haverá flores com inacreditáveis cores, vem.
haverá sol e nuvens viajantes, eu sei.
conversei com deus e pedi asas nos pés.
pedi mais metafísica, e menos burocracia.
e pedi um minuto do teu divino silêncio.
e descansar aos teus pés, depois desse longo inverno.
não, eu não quero jogar tanta luz em algo que não vai refletir.
enviada por Eloisa Lopes.
12/11/2007 01:04

message box
que bom ver-te assim
esses olhos fundos de ressaca,
a boca sempre tão... pedinte
uma órfã, uma pobrezinha que chora e implora
aos nossos pés que a conte uma história
esse ar de descaso dos filhos de oitenta,
(essa coisa do só nunca me pareceu tão real)
exceto pelas suas palavras,
que conseguem juntar todos os sentidos
em algo ilógico
mas, hoje? que diferença faz?
deixe as preocupações para as mentes brilhantes
porque a minha, sempre foi tão mal polida
e fosca, e egoísta...
ofereces a tua boca ao mundo,
e torne esses maltrapilhos desgraçados
em algo, desgraçadamente belo
trágico, bêbado, corrompido...
mas salvo, pela tua boca noturna
que há de arrancar das trevas as meninas vadias
há de ensiná-las a dançar com olhos fechados,
beber com o dedo empinado,
cruzar as pernas e fumar dos nossos cigarros...
dá a tua boca ao mundo, dá tuas palavras, tua carne
por compaixão, assim, meio sem saber o que faça
achando um pouco de graça
trança tuas tramas da perdição sobre o mundo
e salva esses filhos de oitenta,
inunda os corpo vazios de teu sangue, teu fulgor
despi com teu olhar vagabundo
as moças belas que vagam perdidas
em lugares sempre tão distantes
vai procurar tua saudade,
ande enquanto tens coragem
e não sentes doer o peito
enquanto, para o mundo, não tens segredos
vai procurar tua saudade,
e se por acaso encontrares no caminho,
algum pobre maltrapilho,
beije-lhe a face
e tente esquecer que já é tarde
que tua boca já não pertence
aos poetas
que bom ver-te assim
tão entregue aos teus romances
tão fora de seu tempo
quero sempre ver-te de longe
e te apreciar na minha moderação embriagada
hei de te sagrar,
em livros, contos e lendas perdidas
uma santa vadia e subversiva
que salvava aos pobres beijando-lhes a face
e entregando-lhes teu corpo,
mesmo que fosse tarde...
enviada por Eloisa Lopes.
12/11/2007 00:58

Janela aberta
Ah, eu não quero passar mais essa noite pensando em vírgulas, pontos e emoções. Não quero ser esse bicho de vida noturna sozinho na madrugada e não quero ver a luz entrar pela janela e me cegar com tanta verdade... Mas a ameaça de acordar amanhã já limpa e livre desta inquietação é o que me faz ficar. Mais uma vez. Talvez seja a mesma inquietação que sinto e que da mesma maneira me faz ficar lá, você sabe, ainda do teu lado, me alimentando do que não te serve. Esse sumo de beleza e poesia que tens em abundância, embora sem nunca entender nem apreciar. Ainda bem.
E quando surge? Quando surpreendentemente você emerge desse mar profundo onde não coloco nem os pés. Quando eu já sustentava sentimentos de raiva - parte desse processo, não leve a mal - e vejo você lá nos lugares que costumávamos freqüentar. Claro que seria inevitável um encontro casual qualquer após a meia noite, eu sei. Mas o que sinto, e é disso que venho tentando falar, é totalmente aquela miscelânea de tudo o que se pode sentir. Aquela de que tantas e tantas vezes falamos, antecipando os fatos. Sempre teve algo de místico entre a gente. Mas você não acreditava...
Eu fico lá de longe vendo você tomando seu sagrado café dos justos, e me encolho num canto, feito uma gata arisca rosno imóvel, mostro dentes e garras, me arrepio toda e me faço de forte enquanto sinto um medo tremendo. Medo, você sabe, de sentir amor de novo. E parece que nunca fui aquela gata mansa e preguiçosa que me enroscava toda em suas pernas pedindo atenção, dando tudo por uns simples afagos... Ah, os tempos de paz findaram. Hoje vivo assim, olhando pra todos os lados, beirando os cantos e sempre armada. Se de novo me apareceres, toma cuidado. Não sei se te reconhecerei ainda como alguém que um dia amei. Animal tem memória curta. E sem querer posso te ferir.
Se vier, que venha sorrateiramente, beirando os cantos e olhando pros lados. Não me venha como quem um dia sustentou sentimentos eternos por mim, por que minha memória ferida já não recorda de quem tu foste naqueles dias de sol. A violência da partida me deixou seqüelas, curáveis sem dúvida. E a lembrança que tenho agora é daquele ser que sem culpas nem penas, me disse "adeus, até mais quem sabe". Mas não sei se ainda gosto de você, de alguma forma quero te ter ainda dentro de mim, e só tenho medo de que seja eu mesma essa força. Medo inútil, pois já sei a resposta. Mas eu sempre volto. Sempre acabo dormindo quando o sol nasce, essa luz que tantas vezes deixei que me ferisse, porque ao final estava saciada. Mas somente se ao fim de tudo, estivesse o sol nascendo como um aviso, um conselho que eu sempre ignorei.
Acho que te quero assim, nas letras e nas frases, em pontos e vírgulas. Em eternas reticências. Quero que seja um livro inteiro de memórias em poesia. Escrito desde o primeiro momento de suspeita até este de julgamento, e infinitamente até. E não quero perder esta coisa boa que sempre e sempre me destes, essa literatura mal amada e dramalhona, que amo.
Como um vampiro, em noites como essa - lua cheia inundando de luz o espaço - quando dormes tranqüila, te assalto e te sugo este mel de flores brancas com que posso matar um pouco a fome e tornar meus dias mais leves, se com poesia. E ainda assim não despertas. E por instantes paro e me deleito com teu sono. E ainda assim não me percebe ao teu lado. E todas as noites te procuro pra buscar este mel de que me alimento. E ainda assim dormes tranqüila! Mas deixa sempre essa janela aberta, este espaço de mil possibilidades, porque sabes que é disso que sobrevivo. E por isso, lhe sou eternamente grata. E te peço infinitamente, nunca me negue o teu lirismo!
enviada por Eloisa Lopes.
12/11/2007 00:48

E rio de tuas tão efêmera certezas, minha querida
E para que não digam os justos, os corretos e os sensatos, que sou dura e que tenho gelo em lugar de um coração, eu sorrio falsamente após a meia noite. E rio de tuas tão efêmeras certezas, minha querida. Um riso triste e dissimulado, é verdade. Acho que nunca soube sorrir, vê em meu rosto? Quando sorrio? Um riso é um filete de água no teto, que pesa e cai na cabeça de alguém. Totalmente impróprio. Não sei se sempre feliz. Por isso lhes aviso, desconfie sempre quando sorrio. E nem adianta buscar meus olhos pra descobrir se minto. Aprendi há muito a burlar esses métodos ultrapassados. Quando passar de meia noite e eu sorrateira sorrir a quem interessar possa, dentro disso que chamamos alma, saberei que nada poderei dar senão este riso falso. E os dou indsicriminadamente. Salvo os amigos, que se resumem a alguns apenas. Esses poucos que faço questão de restringir mostram-se dignos de me ver em fragilidade, neste momento real de um misto louco de beleza e esquisitice aonde parece que rimos sem porquê algum. Não que isso seja algo tão restrito assim que alguém tenha que se mostrar digno para sabê-lo. Como as revelações de nossa senhora. Não, não. É que perdemos os escrúpulos quando atingimos certo grau de intimidade, você sabe. Eu realmente não teria esta pretensão. Só desconfio do meu próprio riso. E acho que todos nós temos que desconfiar do riso, dos nossos e dos outros. Essa alteração escabrosa bem lá no meio de nossas caras. Os dentes expostos. A boca larga. Quantas vezes sorrimos ao dia? Sorrimos hoje já? Impróprio, imprevisível, por vezes inconveniente, e quase sempre impensado. Reação corpórea de nossa neuroquímica? Aí já não é comigo. Eu sorrio verdadeiramente às vezes. Mas quando rio falsamente, e aí está o sabor, só eu sei do que rio. E só eu sei do que não rio rindo naquele momento. Aí, fulando conta a piada: "tive que pagar com dinheiro!". Todos riem e eu também, e penso: piada sem graça. Ciclano diz: "olá, como vai hoje?". Eu sorrio e respondo educadamente, e penso: vou muito bem, coisa deliciosa... Beltrano fala, rindo: "chegando atrasada, heim? Se fosse minha aula eu te dava falta!". Eu rio e penso: idiota. Todos se juntam, apenas um a frente que possui a máquina: sorriem por um momento, juntos, e depois que a fotografia é tirada, acaba. Hoje eu não tenho mais tanta certeza que o riso corrige os costumes não, porque ele pode estar fazendo justamente o contrário. Quer dizer, eu não sei mas acho que já estou viciada nisso. E digo ainda que talvez todos nós estejamos. Eu rio falsamente pra quem merece, e sinto um sabor maravilhoso nisso. É o sabor de bala roubada, de beijo escondido, dessas coisas ditas "ilícitas". E como todo vício, é preciso querer parar para quem sabe conseguir parar, e não sei se quero parar. É aquela grande arte de falar e pensar coisas distintas. É um dom. Não, eu não propago a falsidade dos relacionamentos. Só chamo a atenção de como frequentemente isso acontece nos mais simples gestos, como um mero sorriso. A criança que sorri parece inocente e pura. E desde muito cedo aprendemos a burlar este sorriso... Compramos e vendemos risos. O meu deve valer muito pouco.
enviada por Eloisa Lopes.
12/11/2007 00:40

apenas uma questão de saudade...
derepente
sinto saudade.
calor nenhum
me aquece
o mundo inteiro
desaparece
apenas você lá
no fim
expondo minhas
fraquezas
jogando na minha
cara as tuas
franquezas
me tornando
cada vez mais
diminuta
colocando
em minha boca
a cicuta
de tua própria
natureza
humildemente
me calo.
humildemente
aceito.
contraditoriamente
confusa
injetada numa
verdade difusa
aonde não
encontro
o porto seguro
de que me
falaste,
acidentalmente (?)
naquelas tardes
tardas à noite
cedo à madrugada
aonde cautelosa
me embriagava
de tuas histórias
mal contadas
ah,
reminiscências...
cautela pouca
e inútil
se ingênua.
e me consumo
de mim mesma
e me torno
imensamente
pequena
até desaparecer
(o meu frio
é de você)
as vias tortas
do coração
me trouxeram
esta questão
mas plena penso
talvez
não ser preciso
solucionar
e por em risco
(quem sabe)
a estranha
possibilidade
de outra vez
no amor acreditar.
enviada por Eloisa Lopes.
12/11/2007 00:33

Adeus, até mais... Quem sabe.
Pego meu copo, meu pseudo-uísquecomtrêspedrinhasdegelo, e me lembro das promessas, das lembranças profundas de nós, isso que é a matéria viva que sobra do que morreu em nós. É o que eu tenho agora. Nossos planos bem feitos de uma vida perfeita, em que viveríamos num mundinho apenas nosso, aonde te prepararia cafés da manhã hollywoodianos, aonde dormirias tranqüila em camas cinematograficamente aconchegantes, aonde viveríamos de amor, e nos daríamos sem culpa, e não existiria mais o medo - que tu tinhas, ou tem - da gente. Eu me apego agora nestes restos frios de memórias, e tento requentá-las... Inutilmente esperançosa. Sei que terminamos o que não começamos e que te regozijas contente e com a consciência limpa de ter me deixado só, porque querias se sentir assim, e eu não te recusaria isso jamais. Prefiro que siga sua vida sem mágoas disso que não vivemos. Por mais que eu carregue agora o peso das lembranças, não dividiria contigo este peso. Porque é dele que vivo agora. E eu sigo sem culpa, não há que procurar culpados para coisas da vida, uma vez que tudo nasce e tudo morre e estamos aqui, não há quem culpar. Caso contrário, culparia minha faminta matéria idealizadora, culparia você que a alimentava, culparia os nossos acasos, a sintonia inexplicável aonde por vezes nos colocamos, culparia Deus, e o mundo, e lugares, e flores... Não quero parecer injusta com tudo isso, portanto agüento o peso - quem sabe conseqüência? - do que fomos um dia. Eu nunca quis dar fim à nossa história, à nossa novelinha das oito. Aquilo me alimentava de uma maneira! Que agora sinto fome, e busco coisas, lugares novos, novas músicas, bebidas, com que possa tapar este buraco que me deixaste. Mas me adunco inutilmente atrás de algo que não sei o que é. Eu hoje sou uma coisa abstrata pronta para ser traduzida como queiras. E sou triste porque devo ser. E por mais que às vezes nasça em mim um fio de alegria, sei que se trata daquela alegria triste, daquele sentimento disfarçado, apenas uma máscara... As lembranças... De uma hora para outra, tornam-se obsoletas todas nossas promessas, e soam como ridículos nossos planos, e quase te escuto dizendo: "ainda bem". E te respondo então: "ainda bem". O nosso mundinho, quero falar dele. Era perfeito! Era uma expressão bucólica da vida, entremeada por cenas dramáticas de ódio, aonde por vezes nos quereríamos matar, e por vezes nos buscaríamos cegas de nós mesmas, e nos mataríamos de amor e depois disso dormirias, e no outro dia começaríamos tudo outra vez. Até que morresse o desejo. Mas o desejo morreu antes de se concretizar. Ainda bem? Eu digo que não, e que você não me escute. Não quero que me pense fraca, embora saiba que me sabes assim, e que assim sou. Sei que ainda e por muito tempo, vou amar essa coisa que criamos juntas. Fomos ambas, criaturas fracas, carentes de afeto, e nos juntamos para combater a solidão de nós duas, e nos tornamos caóticas dentro disso, e não suportamos o peso das nossas próprias promessas. Hoje sei, não suportaria mesmo, me fiz de forte, como sempre, e acreditei em sentimentos pífios. Mas essa fantasia era o que preenchia meus dias fracos e sem vida. E meu desejo mesmo me levou e eu fui. Não, não quero chegar a culpados, já disse. Quero falar de nossas fantasias, desse mundo que construímos juntas, tão delicadamente... Um clima sempre ameno, frio à noite. Pra deixar a fumaça bem densa. E para podermos nos vestir bastante, pra depois nos despirmos bastante também. Alimentação saudável e exercícios, porém sem largar os dois vícios principais. Dinheiro suficiente e depois de alguns anos, três filhos. Um poema, poesia ou prosa por semana. Flores frescas no café da manhã. Eu suportaria viver num apartamentozinho por você, e você aprenderia a conviver com gatos por mim. Enorme biblioteca, ou ao menos, muitos e muitos livros. Vidinha feliz, brigas e discussões toda segunda e quarta-feira, pazes terças e quintas, e finais de semana full of love. Ah... Como nos enganamos, minha querida. Sei que também caíste nessa. Só que percebeste antes de mim a farsa. Eu sempre gostei de me iludir, e faço com certa facilidade e mestria até. Acho que gosto mesmo disso. Desse pseudo-uísque em minhas mãos, das canções melosíssimas com que encho meus ouvidos, dos incontáveis cigarros que suspiro por aí, da ressaca do amor, ah... Dessas miudezas de sofrimento. Eu ando tentando me controlar pra não fazer um drama. Sei que na verdade estou bem e aliviadíssima de certa maneira, mas a oportunidade de ouvir Ângela ro ro, enquanto choro e me engasgo de fumaça me perturba ferozmente. Não penses que não ligo. De fato, existe ainda uma flor em meu peito. Murcha e pobrezinha, aonde não colocas mais teus raios de luz. Essa flor, por mais que esteja morrendo, e morra, deixará sua marca neste solo e suas raízes nas minhas entranhas, acredite. E não quero fazê-la crer que sofro - embora exista a tentação-, porque não é tão verdade assim. E por isso me escondo, e por isso nunca lerá esta carta. Não faremos mais perguntas a nós mesmas, e nem promessas fúteis e incabidas, e nem confiaremos tanto no destino agora. Num dia de sol, em janeiro, eu quero receber notícias suas. Quero que um dia, tendo ainda lembranças de você, me venha dizer depois de tanto tempo o que realmente sentiu nesta época de utopia, quero ouvir sua voz unicamente peculiar tremer de emoção seja lá pelo que for, quero ver que o tempo te tornaste melhor, e quero que juntas digamos que foi bom o mundo onde vivemos durante aquele tempo, e que foi bom o tempo em que juntas construímos uma casa e tivemos filhos. E que embora nada naquilo fosse verdade, que valeu a pena cada fantasia compartilhada. Você, decepcionada, verá que ainda me iludo, e aí, chegará à conclusão de que nada adianta ser feito a meu respeito. Verá que já me tornaste um corpo acabado pelo amor. Mas me olhará com carinho, pois saberá que eu fui a única quem te tomou os sonhos, quem te conheceu sem te saber perto, quem te respirou por dias, quem te dormiu, quem te escreveu, quem te achou tão perdida e tão bela nas suas confusões! E então, poderá me dizer adeus. Porque teremos, as duas, a certeza de que já não nos devemos nada. E tu seguirás... Eu fico. Eu fico com as lembranças. Com a nossa história não vivida. E descanso, e espero que outras me venham, e me plantem novas flores no peito.
enviada por Eloisa Lopes.
02/06/2007 23:02

Alquimia das cores
Eu gosto de você de uma forma lúcida. Compreendo a natureza de teus gestos, e me divirto observando a maneira como a assume. E como, às vezes, a subverte.
Me embriago com o ritmo alucinógeno de tua fala e me deixo levar pela música na sua voz. Bastou que uma nota saltasse, a primeira e derradeira, para que eu soubesse súbito, como desejava aquele som. E o quanto precisava dele agora...
Minhas mãos tateiam o limite irascível de tua personalidade. O perigo existe. Mas também existe a expectativa do novo. Tenho respirado este ar, e me alimentado de toda esta desordem.
Meus passos nem deixam mais marca no chão. Tenho flutuado por aí, música nos ouvidos, você na cabeça, os olhos sempre fechados e um sorriso importuno na boca.
Eu gosto de você desta forma branda. Sem excessos, nada pra jogar fora.
Me pego observando teus detalhes ínfimos, e vivo tirando poesia dessas coisas que encontro. Não controlo a intensidade do que sinto, e pra minha surpresa, não preciso.
Prefiro a forma discreta como te pronuncia. E como me envolve com elegância e delicadeza. Aprecio a altivez de tua pessoa, e me surpreendo lindamente com tua doçura.
Eu quero te mostrar algumas cores que conheço. Quero te mostrar um outro lado de qualquer coisa. E quero que sejas livre. Quero te jogar da árvore mais alta e te ver voar. E te ver voltar...
Em troca quero que me explique a alquimia de teu corpo, os sistemas com que moves o mundo e me faça ver a beleza dos quadrantes perfeitos do tempo.
Eu gosto de você assim. Porque gosto e pronto.
Não espero nada mais do que queira me dar. Nem ousaria pedir tanto.
Eu apenas me disponho.
E te aguardo vendo estrelas, colhendo flores e talhando meu ser.
Para que quando chegues, possa ver na imensidão de meus olhos, o quanto te quis, e o quanto ainda te quero.
Para que sinta aquela sensação, de finalmente estar em casa. E estar em casa.
Pra que possamos finalmente, nos dar ao privilegio de nos ter. E nos querer.
E nos sermos enfim.
enviada por Eloisa Lopes.
02/06/2007 22:58

Bom dia, amor.
Eu quero fumar um cigarro.
Te vendo dormir e assistir a luz te acordar.
A luz que entra pela janela da nossa casa em Madrid.
Quero comprar flores pro café. Acordar antes de você, claro. Acho que não será difícil.
Do que você gosta pro café? Torradas ou pães? Café ou suco? Eu ou a TV?
Os saberes são construídos historicamente, diz o prof. Pedro. Talvez ele tenha razão.
Li uma vez sobre alguém que de tão feliz não conseguia fechar os olhos. Me sinto assim (felicidade-angústia). Também não consigo mais deixar de cantar e dançar de manhã. Mas nada é pior que o papelão de rir sozinha... Eu me rendo!
Podia me achar idiota (frequentemente me acho, mas não agora), e abandonar esta idéia louca. O tempo está pesando uma tonelada! Detesto admitir, mas me tornei ansiosa.
Saí de meu país das maravilhas, para viver aquele coelho sempre apressado. Mas ele ainda vive neste país das maravilhas... Eu tenho pressa e não é difícil supor o porquê.
Comprei lírios, sempre achei que fossem flores de lis. Suas flores. Os pães, as torradas, café, suco e o que mais? Essas miudezas do cotidiano. Como gosta de dormir, já se passaram quase uma hora e meia! Amor, a mesa já está posta... Nada. Acendo mais um cigarro.
Como eu fui cair nesta armadilha? Tenho dúvidas. Meu espírito livre e otimista quer ficar. Mas uma tonelada é muita coisa. Me sinto tola!
A profª. Anelise interrompe a aula e blá, blá, blá... Me sinto bem aqui. A filosofia não é uma ciência.
Uma esperança pousa no meu decote, sempre acreditei que dá sorte. O que você acha? Eu aqui falando sozinha e você dormindo. Até a vizinha já veio aqui procurar o jornal dela. É claro que eu não devolvi. Quero um calmante. Sabe, você diz que eu não paro de zanzar. Mas eu preciso zanzar! Porque o tempo precisa passar mais rápido que isso.
Conhece a Elizabeth Barret? Uma história linda de amor.
Eu não sou uma pessoa ansiosa, eu estou ansiosa.
A aula vai terminar. Esse professor é engraçado, fala né toda hora, e fica olhando obsessivamente pros nossos decotes... Intervalo!
Até que enfim...
Bom dia, amor!
enviada por Eloisa Lopes.
02/06/2007 22:44

Tornar possível
Tornar possível
Juntar você comigo
No mesmo caminho
Sucumbindo
A todo vício
Que nos parecer preciso
Vagando pelo infinito
Negando o velho mito
De que não é possível
Amar sem sofrer
Se dar sem perder
Afirmando que:
Quando não se ama
Se deixa de viver
Mas pra acontecer
É pedido a você
Pegue em minha mão
Sem nada temer
Que você venha comigo
Quem sabe um dia te explico?
Só te peço um minuto
De incontáveis segundos
Pra nos acharmos
Em qualquer lugar do mundo
Pra nos darmos sem perder
Amar sem sofrer
Em quem sabe fazer
Você perceber
Nem simples despertar
Que de nada vale
A vida sem amar.
enviada por Eloisa Lopes.
02/06/2007 22:32

Mar, bailarina e estrela
Era um mar ela.
E eu estava apenas às margens dele. E por lá fiquei durante horas, dias...
Sentindo medo de suas ondas revoltas, respirando todo aquele espetáculo de beleza agressiva e indomada, que se deve temer ou respeitar, não sei ao certo porque todo mar tem suas histórias, suas mágoas e seus tesouros escondidos. O meu ímpeto sempre fora me jogar por inteira nesse mar. Me afogar um pouquinho em suas águas, e por instantes morrer dela. Morrer à mar. Me permiti este ímpeto algumas vezes, mas não sabia até onde podia ir.
Havia dias em que eu apenas molhava os pés, caminhando calada e calma, como quem simplesmente consente. Em outros, porém, o mar se fazia calmo e eu me arriscava em alguns mergulhos, e embora perigoso fosse, encontrava aí preciosos tesouros. Nunca desejei sabê-la toda. Acho que a tinha como um brinquedo com o qual não se brinca, para sempre tê-lo.
Não, era mais que isso.
Era perfume, mistério e poesia. Era mar, bailarina e estrela.
Era a parte ameaçadora que estava em mim e não era eu.
Por isso não morria em suas águas, sempre emergia antes de sabê-la por inteira.
E conhecê-la significava não tê-la.
~~~
Era uma bailarina em minhas mãos.
Sempre a dançar e a me embebedar de seu perfume doce.
Sempre a correr de mim, e a se esconder por entre meus dedos.
Sempre um mistério, uma coisa que no fundo não se deve conhecer.
Pra sempre ter o que conhecer! Pra se sentir sempre esse cheiro de segredo.
A dúvida era toda a minha certeza.
E essa era toda a sua essência.
Intensa em toda sua beleza de mulher madura.
Inteligência a favor do amor.
~~~
Era a estrela em especial que eu procurava de noite.
Um ponto no universo que nunca se sabe onde está. O que me restava então eram as especulações, a meu ver, um passatempo primoroso.
Podia estar vagando em caudas de cometas com seu título de princesa.
Podia estar colhendo flores alienígenas em Marte. Mas jamais voltaria para Mercúrio, não antes de já ter provado os ventos gelados dos anéis de Saturno.
Sentia sede de movimento, e como não sabia muito bem como sanar esta sede, viajava entre planetas e cometas, desviando sempre dos buracos negros dela mesma. Mas acho que nunca saiu do lugar.
Certa vez ouvira falar de um novo planeta por aí, e não sossegou até parar lá. Um tal de Eris. Pequeno e frio, mas muito genioso.
Havia tantos planetas a visitar antes que chegasse a Terra...
Minhas especulações são mais que passatempos, são alentos. Me conforta saber que não sei. E nessa brincadeira, observo estrelas, em busca de uma só.
E brinco de perdê-la e achá-la. E pinto minhas fantasias em cima de seus sonhos. E me perco sozinha dentro de um universo que não conheço.
Me guiando sempre por um único ponto, uma luz que me cega e me conduz.
Tínhamos o espaço e o destino para desbravar, bastava apenas que nos encontrássemos no mesmo caminho.
~~~
Meu Deus, quanto de poesia há de caber em 1,62 de mulher?
enviada por Eloisa Lopes.
17/03/2007 04:23

tipinho
é, eu sou esse tipinho que se apaixona
que cria coisas, lugares, flores e beijos
tudo fruto morto de uma árvore seca
faço esse tipo mesquinho e pobre de espírito
esse coisa criança e pueril que se lança
vai sem olhar pros lados e esquece
assim como quem não quer nada,
que o lado de lá é um lá tão distante
que perto não estaria nem se fosse longe
eu sou esse tipo comum,
todos zombam de mim
e da maneira como me apaixono.
faço fama de louca pra disfarçar
mas não adianta, porque ainda assim
sonho com um pro-seco no jantar,
depois da cama um cigarrinho pra fumar...
eu assumo, ainda sinto frio
quando escuto vinícius, e no calor do rio!
ainda quero alguém pra brigar
pra depois fazer as pazes
e depois, ver o dia clarear...
às vezes me enoja a maneira
como esses amantes na rua se beijam
mas pobre de mim, é pura dor de cotovelo!
eu queria ainda ter aquela dor no peito
que faz você saltitar feito boba
só porque te deu beijo na boca...
eu sou esse tipinho incorrigível
de amante louca e desprezível
que invade boteco na estrada
consome a nível de garrafa
e termina a noite numa cama, de ressaca
mas Deus há de me dar corretivo!
há de colocar no meu caminho,
alguém que me maltrate e pise
me transforme em uma mulher em crise
quem sabe assim eu desista
dessa, como alguém disse, instituição falida
dessa armadilha de trouxa
eu sou uma trouxa.
eu sou aquela pessoinha ridícula
que pelos signos se guia
quem sabe a gente não combina?
não. a gente não combina.
então, faremos de nossa vida uma
dança argentina! último tango em paris...
lançaremos taças de cristal na parede
nossos gritos ecoarão por toda vizinhança
você vai ameaçar voltar pra sampa
e eu vou te pedir chorando feito criança
"no, don´t go!"
você dirá: "ah, tadinha da elô"
e você ficará!
eu? vou ao médico me tratar
deve existir alguém que possa curar
esse coração palpitante,
esses olhos sempre distantes...
mas sei que não tenho outra escolha,
vou ser sempre a mesma trouxa
a me apaixonar por qualquer coisa
coisas tão lindas...
eu vou.
catar as pétalas da rosa despedaçada
ouvir de novo os boleros cafonas
que tocam aos domingos atrás da minha casa
eu vou.
ser mais feliz quando é lua cheia
jogar fumaça pras estrelas
e pensar na vida alheia
eu vou.
ser sempre este tipinho ridículo
essa pessoa pobre de espírito
obcecada pelo amor...
Eloisa Lopes 17/03/07
enviada por Eloisa Lopes.
07/03/2007 00:45

Viagem até Lis
Eu sinto teu cheiro perdido na confusão de meu corpo
Que só te procura. Queria eu ter a sorte de sabê-lo, teu corpo, sabe?
Queria meu corpo te encontrar, num átimo de instante, ele se desfaria, satisfeito de saber-te enfim, seria belo, seria a felicidade destilada, pura e evadindo pra todos os lados. Que eu beberia. Seria um buraco negro de células suas. Seria a oitava arte de aprender-te! A beleza, sabe, é em nós que ela existe, nesse momento em que falamos: nós; nós isso, nós aquilo. Queria sentir teu cheiro longe, e como bicho; bicho selvagem, bicho indomável, bicho; eu seguiria teus rastros... e eu te acharia, sentiria tuas células penetrando meu corpo, e revigorando minha alma, sentiria um novo sentido para viver. Sentiria desejo, amor e ódio.
Você, no momento de ah!, estaria disposta simplesmente, querendo amor. Seria o vento por entre minhas asas, a água por entre minhas ventas, como o êxtase na minha cabeça! A energia voluptuosa e indecente nas minhas veias.
Você, coisinha gostosa que gosto de sentir longe.
Coisa impossível, por isso venerada.
Perigosa por que misteriosa.
Desejada por que inatingível.
Santa despida no altar inalcançável!
Sou serva deste teu clamor, que pede vergonhosa um raio do teu olhar. Fugidio, misericordioso, olhando uma flor sem pétala que desespera ao ver-te.
Não seria nem boneca de pano a sonhar com vida própria.
Nem homem de lata que sofre.
Seria um corpo de papel.
Reciclado, reciclado...
Em branco. Esperando sua história.
Suas mãos ávidas de tempo já perdido, escreveriam sobre mim uma nova história, nunca antes imaginada. História louca e sem fim!
Me embriagaria de suas mãos e deixaria que me levassem aonde quisessem.
¬¬Ao amanhecer, veria estrelas.
Ao anoitecer, veria sol.
Ao entardecer, veria lua.
Tudo é o tempo. O teu, e o meu. Nunca juntos.
Vamos transpor o tempo e o espaço, vamos?
Queria ser Sol em tua estrada.
Ser Ilha em teu mar.
Ser Lua em tua noite.
Ser Vento no teu deserto.
Amor em teu peito.
Noite de teu sono.
Amor em teu peito.
__Ah, Alice acorda... Vês? Está em casa!
__Esse cheiro...
__O cheiro dos lírios?
__Não... Tem cheiro de... Esqueça, irmã. Devo ter dormido muito profundamente.
__Ah, Alice... Sempre sonhadora, vem dormir minha menina.
Mas o sonho...
enviada por Eloisa Lopes.
07/02/2007 04:34
"e se o momento jamais vivido, virasse eterno?
e se a lembrança mais desejada, fosse um sonho?
e se o lamento ressentido da tua ausencia,foi um acaso?
e se o mais desejado dos gostos, brotasse de teu beijo nunca sentido?
subito, voraz, impaciente..
o desejo de ti, me consome o medo de te-la
trouxe-me a excitante alegria de ser feliz coberta de incertezas
e me faz devorar as imagens de um passado prensente num futuro imprevisivel
...de sonhos.. de vontades...de planos que se fazem reais por si so.. por SÓ ser..
por meu, ser..por ser "mim", sendo tu.. sendo nós...nossos proprios sonhos reais.."
da florzinha linda.
enviada por Eloisa Lopes.
04/02/2007 05:31

O que é afrodisíaco pra ela?
Respiração,
Bebidas alcoólicas,
Música,
Glory Box, Erótica.
Olhares que escondem desejos,
Toques que escondem vontades,
Situações constrangedoras e reveladoras,
A impossibilidade.
Energia de sexo rolando no ar,
Frase mal interpretada,
Frase de duplo sentido, ou de vários,
Provocações minimamente disfarçadas.
Pedido de desculpas envergonhado,
Desculpas aceitas com sorriso,
Inteligência,
O acaso, sim o acaso e a coincidência.
Uma boca, um sorriso na hora exata,
Beber água no gargalo,
E a gota que escorre,
E a boca molhada.
Pernas penduradas que balançam,
Tatuagens escondidas, Lolita,
Decote indecente, vestido florido,
A vida, sempre a vida...
Deus, o que é afrodisíaco pra ela?!
Ato falho e chêro,
Quarto com velas,
Cravo, cachaça e canela.
enviada por Eloisa Lopes.
12/11/2006 02:01
Depois de tanto tempo, vejamos se ainda tenho a manha.

Abstraindo-se um amor...
Amores possíveis
Amores possíveis, possíveis fins
Foram precisos vários dias e alguns meses.
Uma viagem, uma quase-viagem e uma não-viagem.
Foi preciso um livro, inúmeros CDs, alguns vários cigarros e duas taças de vinho.
Foram necessárias uma retirada no banco e algumas fotos de lembrança.
Foi necessário um grande empreendimento de tempo.
E muita paciência.
Foi preciso aprender a calar sem ter vontade.
Apagar a luz e ouvir Chico Buarque até tarde...
Aprender a lidar com tua essência
Bruma de amor em mim...
E mais paciência...
Foi preciso uma tentativa de ataque cardíaco frustrada
E várias horas na estrada, longa estrada da minha alma
Se um dia tudo isso for em vão,
Eu não direi ao contentamento,
Muito menos à lágrima que derramaria
Ah, quão bom seria...
Nem tanto ao céu, nem tanto ao inferno:
Quero enfim, desse amor repousar
Se isso você me darias?
Ah, eu não te irias perguntar...
Pois fácil eu já saberia,
Transpareceriam luzes em seu olhar,
Tuas mãos te guardariam
Ou te trariam a mim, caso fosse
Certamente, pela ultima vez, eu choraria
Em meio a brisas e recordações
E para sempre, de ti, me despediria.
enviada por Eloisa Lopes.
27/06/2005 20:50
Eu vou destruir minha vida pra continuar te amando.
Não acho que seja a melhor das soluções, nem a mais inteligente, mas já sei que não tenho outra escolha. Vou fumar quantos cigarros forem necessários para me sanar esta vontade de chorar, e tentar me acalmar, pensando na vida e em você. Eu vou te escrever quantos textos forem precisos para tentar te ganhar. Vou esquecer meus amigos, me tornar egoísta, só para doar todo meu tempo a você. Vou gastar minutos infindáveis meditando a sua imagem, pra tentar me conectar contigo, e assim, quem sabe fazer você pensar um pouco em mim. Vou fazer com que todas as coisas e todos me lembrem você.
Não, eu não acho que vá resolver as coisas... Mas às vezes sinto vontade de me jogar pra qualquer direção, pra qualquer lugar, quando penso em como seria se... Sei também que todas as vezes que você aparecer, pode ter certeza, alguma fênix renascerá dentro de mim, não posso evitar, e todas as vezes que você desaparecer, vou tentar te esquecer e me conformar. E será assim pro resto ingrato de minha vida, ate que um dia você resolva sumir de vez. Só que quando chegar este dia, já estarei destruída, então não fará muita diferença.
Embora ache que você não mereça, irei dedicar cada minuto a sua causa ingrata. Vou deixar secar meu coração e meus olhos, para nunca mais me apaixonar nem chorar por outra pessoa.
Só te peço uma coisa; não deixe de ser nunca esta pessoa que eu amo.
Eu vou me destruir porque você não merece. Vou me destruir porque não posso te odiar. Vou me destruir por que só posso odiar a mim mesma. Eu vou destruir toda minha vida, e vontade de viver, minha boa sorte e meu espírito otimista, porque te amo, e não consigo parar.
21/06/2005.
enviada por Eloisa Lopes.
12/06/2005 02:19
Ideas for love...
Não pense que eu chorei por você
Que eu sofri, nem se engane
Achando que eu te amei.
Afinal, você estaria certa demais
E isto alimentaria seu ego de
Princesa da Lua.
Por isso, me ignore os olhares,
Não me responda aos chamados
Nem ruborize diante estes versos bobos
Talvez você até me esuqeça...
Ou apenas leve na memória as voláteis
Lembranças de um ser patético
Que por você, não só
Chorou, não só
Sofreu, não apenas pecou por
Te querer, mas sobretudo pecou
Por simplesmente te amar.
enviada por Eloisa Lopes.
27/03/2005 16:26

Outra Vez
Composição: Isolda
Você foi o maior dos meus casos
De todos os abraços o que eu nunca esqueci
Você foi dos amores que eu tive
O mais complicado e o mais simples pra mim.
Você foi o melhor dos meus erros
A mais estranha história que alguém já escreveu
E é por essas e outras que a minha saudade
Faz lembrar de tudo outra vez.
Você foi a mentira sincera
Brincadeira mais séria que me aconteceu
Você foi o caso mais antigo
O amor mais amigo que me apareceu
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.
Esqueci de tentar te esquecer
Resolvi te querer por querer
Decidi te lembrar quantas vezes eu tenha vontade
Sem nada perder.
Você foi toda a felicidade
Você foi a maldade que só me fez bem
Você foi o melhor dos meus planos
E o pior dos enganos que eu pude fazer
Das lembranças que eu trago na vida
Você é a saudade que eu gosto de ter
Só assim sinto você bem perto de mim outra vez.
(por favor, versão de ana carolina, tá?)
enviada por Eloisa Lopes.
21/10/2004 17:18
Simplória falsidade
A vida que eu levo é simples;
(Pelo menos foi assim que Ele me disse)
Meus sapatos vermelhos querem se expressar
Aparecer, eles querem é viver.
Minha calça desbotada pelas horas
No meu corpo ganha cores, estilos e formas
As pulseiras em meu punho me
Aprisionam ao meu passado nulo
As marcas em meu peito são testemunhas
Vivas, de uma vida doída
Tudo em mim é falso.
Meus pensamentos trapaceiros
Meu corpo imaginário
Me enganam para que eu seja feliz
Felicidade em meus cabelos!
Pintados grosseiramente
Fazem de mim uma pessoa madura,
Quem sabe uma pessoa dura?
Riqueza em meus bolsos!
Lotados de notas loteadas, notas amassadas
Fazem de mim uma pessoa rica,
Talvez uma pessoa mísera?
Tudo em mim é falso.
Meus olhos flamejantes fabricam
Meu desejo instituído
Minhas unhas roídas exalam a falsa
Preocupação com o mundo
Meus ternos engomados disfarçam minha
Preguiça, minha falta de intensidade,
Minha vida passiva,
Vida não vida.
enviada por Eloisa Lopes.
16/10/2004 18:42
Sobre o tempo
Amanhecia um dia difícil, calmo de inicio, complexo afinal. Nele havia disfarçadamente um distúrbio qualquer, incomum, sempre presente e sempre novo, mas sempre incomum também, esses distúrbios que vêm em ondas, que te batem sempre na alma e te fazem estremecer de leve. Nele havia um romance trovadoresco, encenado nos entrecantos de meu lar, nas janelas as mocinhas sonhadoras, na sala os senhores de causa acompanhados de suas mulheres, e os serviçais pela casa perambulando como almas penadas.
Os resquícios das insônias acuavam profundamente as pessoas nas ruas rolantes que via daqui de cima, do décimo segundo andar. Sem duvida era aquele um dia penoso, que só acabaria ao resplandecer do segundo dia.
Não quis olhar por muito tempo as pessoas daquela altura, pois as fazia pequenas e frágeis demais aos meus olhos. Deixei as mocinhas sonhadoras à sós na janela por instantes.
Servi-me de café que eu mesmo preparei, e olhei pela janela aquele dia ainda escuro, e que assim permaneceria por longo tempo. Compadeci-me dos pobres, dos carentes, dos sem-amor, dos que passam fome, e embora aquilo me fazia achar-me muito mais humana, era apenas uma ilusão tola e justa, completamente, justa. Segui naquela utopia por alguns longos minutos, e quando me dei conta do dia que tão largamente passava, resolvi comprar flores.
As flores não pareciam muito vivas naquele dia (na verdade, nada parecia muito vivo), mas trouxeram um pouco de luz a casa. Abrir as janelas não adiantaria, pois o tempo insistia em ruir, e ainda assim as mocinhas não continuariam lá. Quis deixá-las lá... Gostava de ver a luz em seus olhinhos, seus dedos entrelaçados, seus cabelos cuidadosamente penteados ao vento.
Apesar de querer roubar uma daquelas daminhas pra mim, sabia não poder fazê-lo, assim, infeliz me contentava ordenadamente em observá-las.
Sentei-me em lugar mais confortável de minha casa, descansei-me sobre suas estruturas e deixei-me envolver... Olhei as flores desajeitadas no vaso, as mocinhas suspirantes em minha janela, o tempo ruidoso lá fora. Adormeci por uns instantes, e por instantes não vivi.
Calmamente abri os olhos, não mais vi as mocinhas em minha janela, o tempo, este sim continuava nublado e denso. As flores foram-se com as mocinhas. Roubadas do vaso onde as coloquei, pelas jovens damas que apreciava em silêncio. O restante de vida que havia naquele dia, estava tão perto de mim, que ficou imperceptível aos meus castigados olhos.
Pus-me a refletir os meus amores passados, as lágrimas derramadas por amor, as promessas não cumpridas. E em longo tempo de reflexão, senti enfim um mínimo de conforto naquele dia. Senti-me conservadoramente bem. Não bem o suficiente para levantar-me, trabalhar e ir ao centro pagar as contas; pois a vida que havia neste dia, estava no passado, e eu não mais a tinha.
Ainda neste dia, choveu uma chuva calma e incessante, eu perambulei pelos corredores, derramei café no tapete, fumei um velho cigarro e acompanhei a noite cair. A esta altura, meu corpo e mente estavam fatigados por demais, e muito desejava dormir o sono dos justos, estes hipócritas. À medida que deitei na cama ainda desfeita da noite anterior, despedi-me inconscientemente de tudo e todos, agradeci a Deus por mais aquele dia, que embora difícil, era mais um dia em minha vida. A pouca luz do abajur apagou-se com o estalar do interruptor. A minha luz, luz interna da vida, foi apagando-se lentamente, mantendo enfim, uma pequena e insistente flama.
Um dia de verdade amanheceria em breve.
Uma vida de verdade eu teria de viver.
Assim eu desejava tão ardentemente, e que tão friamente me fora negado.
sexta-feira, 15 de outubro de 2004 00:36:33
enviada por Eloisa Lopes.
23/09/2004 21:01
Agora, eu só tenho medo do meu passado e do que ele ainda pode me causar. Nas ultimas vinte e quatro horas não pude fazer outra coisa além de pensar no que poderia não ter feito, no que poderia não ter dito. Sim, eu me arrependo, não faço questão de fazer parte dessa ideologia hipócrita das pessoas que não se arrependem. Não agora que o furacão já passou e eu estou numa casa velha dita pensão, por pessoas miseráveis, e num quarto chamado carinhosamente de quarto 15. Não te ter feito chorar seria impossível naquele instante, mas precisava da extrema vida, que eu ouvia falar nos livros de Clarice, e que eu sonhava para mim quando garota. Sonhava que a teria quando tivesse idade suficiente para, simplesmente, viver. O que eu não sabia é que eu sempre tive idade para viver, e sem saber, esperava, esperava que um dia a vida chegasse em mim. Pensamentos tolos, mas culpar alguém seria besteira, quando eu mesma podia mudar isso. Eu te fiz me expulsar de casa. Eu queria isso. E foi premeditadamente que você achou as cartas em minha bolsa. Não, nada disso importa agora, descobri a uns meses antes, que nunca fui feliz, foram apenas anos de momentos e descobertas para mim, e fazer você sofrer posteriormente por isso não seria justo. E é por isso que agora estou aqui, num lugar que nunca estive antes, e é por isso que amanha eu vou procurar um emprego em algum lugar que me aceite como qualquer coisa, o que importa eu ser diplomada em Letras pela Faculdade Federal? Num momento em que as estradas parecem muito mais longas do que já foram, isso não adiantaria muita coisa.
Tomada pelo espírito assustador do recomeço, eu termino meu dia num copo do velho Johnie Walker, sem suposições sobre minha nova vida e o que ela quer ou não me oferecer, eu estou cansada e quero apenas deitar e dormir.
enviada por Eloisa Lopes.
22/08/2004 21:10
Boemia é vida (?) (!)
Eu apenas sigo os conselhos, e eis aqui o que faço agora
Desse ângulo perigoso e escorregadio eu só vejo meu leal e honroso gato Laerte de perfil, o que o faz ficar mais bonito ainda,
Pra que se levantar se você pode ficar deitada e apreciar o que há de lindo a sua volta?
Pois eis o que faço agora, no instante em que meus ossos se quebram e minha cabeça parece que se espreme em minha caixa craniana, não faço o mínimo esforço, pois o real me parece suficiente.
Se arrepender depois é só um gesto de caráter, que os dignos senhores de nossa forjada sociedade fazem questão de não ter,
Se arrepender é algo que te faz aprender, e dizer que não se arrepende pode ser corrosivo, pois é pura hipocrisia
Minhas companheiras me disseram, depois que eu disse, é claro: Abaixo a hipocrisia!. E que assim se faça!
As cores são mais vivas que antes, as estradas são mais longas, há mais caminhos a percorrer! E sigamos...
Mas se é vida? Não convém agora saber...
Agora que as mãos tremem, em busca de algum prazer
Agora que a chuva cai, em busca de algum frescor
Agora que se pode enfim pensar de alguma maneira lógica
Agora que tudo parece mais do que realmente é.
Tudo é vida, e viver pode ser bom às vezes... quando se encontra reais motivos,
Mas cuidado! Não perca a embriaguez, meu amigo!
Ela nos mantém no ritmo alucinógeno que a vida nos oferece,
E oferece como quem oferece água a uma mendigo
Não a perca! Mantenha-a serena, e por longo tempo
Que as mágoas nos propõem à morte e a embriaguez nos salva, será que de uma vez?
Não! Por isso, apelo-te meu caro amigo, não fuja nunca!(a não ser que ela te morda, e te machuque!)
Porque nossos pais são iguais a nós, e nossos filhos iguais a nós serão, porque fazemos parte de um ciclo que nem nós o sabemos bem, mas vivemo-lo.
Porque é necessário que haja grandeza, sempre, não importa em qual lugar, não importa em qual circunstância,
E isso nos bate à porta todos os dias, quando dissemos bom dia ou boa noite, nossos pais merecem-nos?
Não faça esforços para saber, eles nos amam, como nós amaremos nossos filhos, porque somos todos iguais, nossos erros foram cometidos por eles um dia! E isso não nos dá autonomia sobre nossas vidas...
As águas são mais refrescantes, os ventos são mais cortantes, os murmúrios são mais arrepiantes,
Porque uma vez, em algum lugar, em alguma hora, houve vida! Misturada com alucinógenos, quem sabe assim não é mais fácil viver?
As dores virão, e que nossos corpos estejam preparados
As desilusões virão, e que nossos tão pequenos corações estejam preparados
Se não preparados, abertos,
Pois há vida! E quem sabe se ela não está no fundo de seu copo? No banheiro sujo e repugnante? Na chama de seu cigarro?
A boemia houve, sempre haverá, agüentará nossas desilusões, nossos choros, a mulher perdida, o dinheiro perdido, o ente falecido.
Junte-se a mim e cante comigo se você me entende e tem pra si o sentido destas palavras encaixadas;
Graças à boemia! Abaixo a hipocrisia!
enviada por Eloisa Lopes.
21/07/2004 10:44
Juízos velozes
Queria dizer sim, ao beijo que me foi oferecido, há uns tempos... __Me beija?!
Até então ainda não sabia das muitas coisas que, hoje, sou eu mesma. Até porque havia o medo. E a hipocrisia que hoje, ainda arde um pouco. E hoje eu consigo ver coisas que antes eram imperceptíveis! É maravilhoso, de um certo ponto, porque daqui eu posso ver então, como o mundo é grande, e a dimensão deste mundo dentro de cada um de nós. Essa visão assusta as pessoas às vezes, porque pareço incompreensível a elas. Mas o volume do que se foi perdido é também muito grande, e agora eu só tento não perder mais, as coisas importantes pra mim. Porque a dor é imensa! As canções são belíssimas, mas a dor... Ás vezes é tudo uma questão de colocação do tempo, se eu quero perder agora ou depois. Quando chegar aos 30 anos e eu achar que está na hora de me mexer, talvez então, eu não perca mais. Mas eu não queria perder nunca! Mas como nem toda a energia é transformada em trabalho, sempre se desperdiça um pouco para o meio externo, o caso todo torna-se um pouco mais compreensível.
Onde eu estava? Não consigo, então continuarei com uma nova, porque agora é necessário que isso tudo aqui haja. Haja, mas sem perder. Do haver completo e único, porque extremamente agora estou precisando de complexidade. Porque tive uns dias fracos e meio que perdidos da verdadeira essência da vida, e isso é perder! Mas o alento que sustenta minha calma e tranqüilidade é o fato de que sei que isso não é necessariamente culpa minha, ah não. Nossos dias não são só feito por nós, certo? As pessoas, as coisas, aparecem e somem. Sucessivamente. É uma loucura sem fim, e a gente que se acostume. Por que na verdade eu acho essa historia toda de viver um supra-sumo, e desistir assim tão fácil, é um disparate total. E perder e ganhar é belo! Alegria e dor são belas. Porque não passa de vida. E eu me disponho a viver complexamente, tentando não excluir nada, veja bem, tentando, porque eu ainda sou uma filha desse país, desse mundo. Isso espanta. Ás vezes é engraçado, outras vezes é execrável ver os rostos surpresos. O que eles não entendem em mim, é que tudo isso é vida, e é simples em sua grandeza. E eu aceito, e me curvo diante da vida.
Disparo de pólo a outro, em menos de trinta linhas. Eu saltito entre elas, e de repente uma certa idéia já não tem o menor sentido com a apresentação de outra, Meu Deus! Isso tudo é lógica! Que leva uma coisa a outra. Como eu faço isso? Isso me alivia...
enviada por Eloisa Lopes.
09/07/2004 16:03
Sessão Marcielle Oda.
_____________________________
Fama
Adoro suas loucuras
Seus sonhos "Kateanos"
Que embaraçam sua mente
E leva-te a delírios
Adoro suas pernas
Correndo contra o tempo
Para assistir um show
Cuja banda me ranca ciúmes
Adoro sua voz
Rouca, cantando, rancando um agudo
Para igualar-se à fama
Da sua Kate amada
Adoro sua fita vermelha
Lembra o cabelo famoso
Meu cabelo
Meu sangue
Seus lábios.
Rio, 24/06/03_Marcielle Oda.
enviada por Eloisa Lopes.
20/06/2004 18:09
Teoria feminista em questão pelas mulheres de trinta por mulher de 16
As mulheres de 30 são hoje tema de seriados, novelas, música, livro, e muito mais...
Ah...Você me dirá não tinha percebido!, pois é, as mulheres de 30 são um sucesso! São mulheres que fizeram o que achavam (não elas) o mais certo a vida inteira, e agora estão correndo atrás. Querem fazer aos 30, o que não fizeram aos 15, 16, 17,..., 22. Mas são várias elas! São mulheres que hoje entendem mais que ninguém que a vida é simples. São mulheres que buscam o bom e velho amorzinho pra sossegarem. São mulheres maduras, mas que mantém ainda a disposição da juventude em sair em busca das coisas que deseja. E são surpreendentes! São doidas varridas no auge de sua patologia. Tiram das situações o melhor que podem, e são seguras em relação aos homens ou mulheres, ou pelo menos se fingem, porque hoje são mulheres, e sentem tanto orgulho disso, que não trocariam o que têm no meio das pernas por nada nesse mundo. Bastam-se, porque são mulheres, o que mais querem? Recém-casadas em busca de um relacionamento feliz e eterno. Muitas com filhos, e separadas daquele traste!. Porque desde que mundo é mundo, mulher evolui (ou retrocede?) mais rápido que homem, e esta é uma verdade indubitável, são estes coitados que não conseguem ver o quão maravilhosa pode ser uma mulher. São poucos os que conseguem, e são esses os que elas querem! Ou talvez, queiram um homem-objeto, para cuidar como se cuida de um bichinho, fazê-lo achar que manda na relação, que escolhe o filme, o programa, o melhor dia, mas fazendo isso impondo sempre a sua vontade, uma mulher inteligente domina o mundo! Que dirá um homem!
Será?
Desde uns tempos atrás, aprendemos, quem sabe pela iniciativa feminista dos anos 20, que merecemos respeito simplesmente por sermos todos iguais, e não o papel de coadjuvantes que nos era oferecido. A sociedade nos enganava com seus truques, atingindo nosso ponto fraco, a vaidade. Homens, escritores, nos enaltecendo, nos regozijando, mas iludidas, caímos no romantismo, e até hoje somos enganadas pela vaidade (modificada), de tempos atrás. Mas esse pensamento evoluiu, e hoje nossa cultura nos ensina a sermos melhores que homens, desde pequenas somos criadas pelas nossas mães, cheias de experiências que nos servem de exemplo para não cometermos os erros delas, a sermos melhores que os nossos colegas de escola, que nossos primos, que nossos irmãos. É bem verdade que a ciência diz que homens e mulheres são diferentes sim; o cérebro deles funciona melhor para localização espacial, e o nosso, para verbalizar e estabelecer comunicação, por isso, enquanto eles cismam em encontrar o caminho certo, nós insistimos em pedir informações a alguém. Ocupamos 50 % do mercado mundial, mas ganhamos 40% menos que eles, em cargos iguais. E as empresas justificam-se pelo fato de engravidarmos, educarmos nossos filhos e cuidar da casa, demonstrando menos envolvimento com o trabalho. Quer dizer, quem pariu, cuidou e educou o ser que pensa assim? O pensamento hoje seria que a mulher fosse o que ela quer ser. Seja uma empresária, uma modelo, dona de casa, prostituta, porque acredita-se que pode-se manter em qualquer profissão, em qualquer situação, a integridade da mulher. Porque assim, obtemos respeito. Já não conseguimos enxergar os homens da mesma forma, e eles já acostumados a essa mulher que se basta, não nos oferecem o que queremos. E aí, sofrendo sozinhas, fingimos que está tudo bem como mulher independente que somos, vamos ao supermercado e compramos quilos e quilos de gorduras, trabalhamos, saímos com nossas amigas, e vivemos de relações incompletas e inacabadas... Hoje queremos, apesar de demonstrarmos o oposto, uma família, e isso é tão contrario ao que aprendemos, que nos culpamos por pensarmos assim.
Esse é só um exemplo, porque a mulher não tem que ser independente, ela tem é que ser feliz, seja como for. O problema é que estamos atreladas às teorias feministas que nos disseram que temos que ser melhores, que queimaram sutiãs, sapatos de salto altos e detergentes em frente ao teatro onde Jordi Ford era eleita Miss América. Mas esse comportamento é inteiramente compreensível. Fomos consideradas propriedades de homens, a quem nossos pais pagavam dotes para que se casassem conosco e nos traíssem, e para que nós oferecêssemos a eles um filho, homem, é claro. Éramos homens incompletos, assim julgadas pela tese de que nossas vaginas eram na verdade, pênis para dentro. Fomos queimadas na fogueira por conhecermos o poder das ervas e curarmos pessoas, desafiando a salvação restrita à Igreja, nos chamávamos bruxas. Por séculos inferiorizadas, e por isso, a justificada e abrupta reação, o feminismo.
A mulher de 30 é hoje, o resultado disso tudo, é a clara imagem de toda esta confusão. Que se reflete nela própria... Ela é um mundo! Ela teve que se achar nessa confusão toda, e tentar construir pra ela uma vida que a deixasse feliz, satisfeita. Filhas do último período da Ditadura Militar, escutaram Cazuza e Barão Vermelho, Kid Abelha e as Abóboras Selvagens, Legião Urbana, Lulu Santos, Lobão, assistiram ao primeiro festival que uniu bandas nacionais e internacionais, a primeira edição do Rock In Rio, e para aquelas nostálgicas dos Festivais da Mpb podiam pegar o velho LP de suas mães de Chico Buarque de Holanda, de Tom Jobim, João Gilberto, Elis Regina, Vinicius de Moraes; não existirão mais mulheres de 30 como as de hoje: erradas nas atitudes (assim a julga!), precipitadas nas ações, maravilhosas mães e profissionais, felizes, confusas em relação ao sentimento e ao corpo, dondocas noveleiras, bêbadas de roda de amigos, loucas, depravadas sexualmente, maníacas depressivas, intelectuais mal-humoradas, trabalhadoras neuróticas, cozinheiras de refrigerador (a maravilha dos congelados!), devoradoras vorazes de pacotes de biscoitos, frígidas fingidoras de orgasmo, solteironas convictas, esperançosas recém-casadas... Enfim, de uma coisa se tem certeza, as mulheres de 30 são um sucesso! Aproveite enquanto elas não fazem 40, porque as de 40...
Eloísa Lopes _ Rio, 19/06/04.
enviada por Eloisa Lopes.
17/06/2004 22:21
Tatuagem_Chico Buarque
Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é prá te dar coragem prá seguir viagem quando a noite vem
E também prá me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega, mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo me alucina, salta e te ilumina quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta, morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas, mas no fundo gostas quando a noite vem
Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, ferro e fogo, em carne viva
Corações de mãe, arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo mas não sentesTatuagem_Chico Buarque
Quero ficar no teu corpo feito tatuagem
Que é prá te dar coragem prá seguir viagem quando a noite vem
E também prá me perpetuar em tua escrava
Que você pega, esfrega, nega, mas não lava
Quero brincar no teu corpo feito bailarina
Que logo me alucina, salta e te ilumina quando a noite vem
E nos músculos exaustos do teu braço
Repousar frouxa, murcha, farta, morta de cansaço
Quero pesar feito cruz nas tuas costas
Que te retalha em postas, mas no fundo gostas quando a noite vem
Quero ser a cicatriz risonha e corrosiva
Marcada a frio, ferro e fogo, em carne viva
Corações de mãe, arpões, sereias e serpentes
Que te rabiscam o corpo todo mas não sentes
enviada por Eloisa Lopes.
06/06/2004 01:12
Só porque eu estou nada.
Não tenho nada mesmo para dizer.
Não tenho inspiração. Não agora, mas terei,
eu sei, ela sempre vem...É uma das poucas certezas
da minha vida.
De um certo ponto de vista é até bom estar nada,
porque pelo menos voce nao está mal, mas tambem
nao está bem...
Por isso, viva o nada!Do sentir, é claro...
De que mais eu poderia estar falando?
E por falar nisso, que sentimentozinho ruim este,
o orgulho! Corroi o ser sabe? Me corroi, pois
se nao o tivesse, eu nao teria sofrido um tanto,
eu sei. Mas agora tento me livrar, ser mais gente.
Mais humana, mais bicho...
E eu conseguirei. Mas que fique só entre nós!
Quem falar é feio!
É uma tristeza que um ser (eu?) possa escrever algo
só por inspiração, eu acho que todos os seres escritores do mundo (aqueles a quem eu me dei, que me entorpeceram) escreveram e escreverão por amor, ódio, revolta, amizade, sirico-tico, faniquito ou sei lá o quê! Mas que seja verdadeiro! Não por pura estilistica da Lingua...Por isso eu espero. Certo?
E não se esqueça: Quem falar é feio! Fique quieto...
enviada por Eloisa Lopes.
04/06/2004 23:14
Pra Rua Me Levar
Ana Carolina
Composição: Ana Carolina
Pra rua me levar
Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho onde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus, e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se ascender
A lua vai banhar esse lugar
Eu vou lembrar você
É mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queria ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora
Vou deixar a rua me levar
enviada por Eloisa Lopes.
30/05/2004 15:47
Canção do amor que não vem
Ah, soubesse eu te contar
Toda amargura
De não poder te dar
Tanta ternura
Ah, soubesse eu nunca te contar
Ah, pudesse eu te dizer
Toda tristeza
De estar sempre esperando
Uma incerteza
E nada poder
Nem desesperar
Oh, triste caminho do coração
Que ama sozinho
Que coisa triste
Amar sozinho
Quanta solidão
Ah, pudesses entrever
Minha ansiedade
Depois de um dia de saudade
De uma noite inteira a soluçar
Vem! Não tardes mais
Amor, que eu vivo procurando
Quando vais chegar?
Eu sei que chegarás
Ah, pudesse eu pôr a teus pés
A minha vida
Amor, por quem tu és
Oh, vem
Não tarde mais
Sim, por favor
Façam silêncio
Meu amor vem em silêncio
Quando ele por mim passar
Vinícius de Moraes
enviada por Eloisa Lopes.
24/05/2004 20:34
Texto recente...meu, para alguém...
Fulgor/Clareira
E eu vi seus olhos no universo, luzindo somente pra mim, duas estrelinhas pequenas e sôfregas que eu quereria alcançar e beijar, tirar do mar e transpor pelo firmamento afora, num só suspiro.
Só pra ver rir o riso sem causa... Que me induz ao sétimo céu, onde se encontram as criancinhas puras e pálidas, a caminhar e correr e cair e ainda assim rir.
Eu não te teria compreendido, se não tivesse visto o terceiro minuto da aurora, se não tivesse acompanhado atentamente as tempestades furiosas, se não tivesse sentido a natureza me invadir eu não saberia que o teu surgimento deu-se entre os céus belos e revoltos das telas de Dalì.
Gostaria de ouvir atenta suas idéias, suas revoltas sobre esse mundo, só para captar as suas milhares de faces envoltas pelas órbitas de sua alma reluzente, fonte de minha esperança nesta terra maldita...
Não espero que vivas eternamente em mim, tal a sua grandeza,
Às horas quando tu me clamarias meu ser se tomaria de lágrimas, meu corpo se dissiparia em mil e sairia vagando às luzes dos teus olhos, e eu sairia em busca dos tesouros perdidos na tua vida, pra te ver sorrir mais uma vez...
Assim mesmo ficarei esperando que um dia você venha me buscar, cavalgando seu negro cavalo alado para me engrandecer, me sagrar sua e me elevar aos teus templos infinitos e secretos no meio dos jardins abandonados.
Em meio a pobres flores e tristes murmúrios de mães, repletas de vida! Em meio às temerosas montanhas movediças, cheias de desejo! Em meio a águas cortantes e árvores mortas talvez ficar contigo, talvez dizer te amo, talvez...Ah! Que tudo isso se torne a vida mais flamejante que eu já vi! Que talvez não tornarei a ver...
Por isso ficarei imóvel ante a tua chegada, porque ainda não há vida! E só me moverias a um mando teu, quando me estenderias os braços e me carregaria contigo, eu seria...
Eterna, intensa, completa, unicamente tua.
enviada por Eloisa Lopes.
22/05/2004 09:34
Antiga...
O crime do anjo
Na verdade não sabia quem era, nem o que pensava, mas o que importaria isso? Apareceu na minha frente, e sem me avisar, me pegou a mão e beijou a face, e na hora de ir embora, nem hesitou. Numa daquelas noites em que se escreve, escrevia eu, mas chegou um ser, que desrespeitando todas as regras e fazendo jus ao seu semblante, rasgou-me todas as folhas, que ao penar na madrugada produzia, quebrou o que via a sua frente, não pensou em nada, e quanto mais evoluía, mais queria, até que caiu no chão, feito folha seca.
Não se moveu por alguns segundos, mas levantou-se, chegou-se, pegou nas mãos sujas de tinta, e não mais que querendo, beijou-me. Virou as costas, e só assim vi que despido estava. Agora, com folhas ao meu redor, suspensa de ter idéias mais fúteis que essa por um tempo, com a desordem mais que bem colocada em minha volta, sento-me e pergunto-te:
Que mais queres de mi vida tu
Que mais queres que faças eu
Se já da tua boca provei o céu
E da vida um lírio fechado és
Em qualquer templo que estejas
Veja de lá a minha desgraça, que
De olhos fechados ainda podes
Contemplar o estrago que fizeste
Um anjo como tu, de pobre coração
Não sabes a dor que tem um beijo
Por que dele sai o mel das angustias
E não contente, o sumo da aflição
Assim duvido eu, que tenhas no peito
Coração maior que o meu, que quando
Ama se fere, e ainda ferido canta
Mas como pode nos altos céus
Ter uma alma tão impiedosa
Lugar de poucas malícias, volte a terra
Que essa é sua mãe frondosa
Volte e cante comigo por dois corações
Que mais que apaixonados, cúmplices
De um crime são,
Tu cometeste vários crimes, volúpia,
Revolta, exaltação, e eu que mais ainda,
Cometi o crime ilícito, o crime da
Dissertação.
Somos condenados pelo Deus eterno
A vivermos exilados, eu e um lírio fechado
Nesta casa, onde agora ocupa a desordem
Cultivarei dentro de mim, em vão, uma flor
Que nunca desabrochará, e para mim que criminosa
Sou, ainda feliz me encontrará.
Essa é minha mesmo...
enviada por Eloisa Lopes.
16/05/2004 14:52
"Emocionei-me e entendi que este homem envolve uma mulher de carinho[...] Porque há grandeza em Vinicius de Moraes..."__Clarice Lispector
Separação
Voltou-se e mirou-a como se fosse pela última vez, como quem repete um gesto imemorialmente irremediável. No íntimo, preferia não tê-lo feito; mas ao chegar à porta sentiu que nada poderia evitar a reincidência daquela cena tantas vezes contada na história do amor, que é história do mundo. Ela o olhava com um olhar intenso, onde existia uma incompreensão e um anelo, como a pedir-lhe, ao mesmo tempo, que não fosse e que não deixasse de ir, por isso que era tudo impossível entre eles.
Viu-a assim por um lapso, em sua beleza morena, real mas já se distanciando na penumbra ambiente que era para ele como a luz da memória. Quis emprestar tom natural ao olhar que lhe dava, mas em vão, pois sentia todo o seu ser evaporar-se em direção a ela. Mais tarde lembrar-se-ia não recordar nenhuma cor naquele instante de separação, apesar da lâmpada rosa que sabia estar acesa. Lembrar-se-ia haver-se dito que a ausência de cores é completa em todos os instantes de separação.
Seus olhares fulguraram por um instante um contra o outro, depois se acariciaram ternamente e, finalmente, se disseram que não havia nada a fazer. Disse-lhe adeus com doçura, virou-se e cerrou, de golpe, a porta sobre si mesmo numa tentativa de seccionar aqueles dois mundos que eram ele e ela. Mas o brusco movimento de fechar prendera-lhe entre as folhas de madeira o espesso tecido da vida, e ele ficou retido, sem se poder mover do lugar, sentindo o pranto formar-se muito longe em seu íntimo e subir em busca de espaço, como um rio que nasce.
Fechou os olhos, tentando adiantar-se à agonia do momento, mas o fato de sabê-la ali ao lado, e dele separada por imperativos categóricos de suas vidas, não lhe dava forças para desprender-se dela. Sabia que era aquela a sua amada, por quem esperara desde sempre e que por muitos anos buscara em cada mulher, na mais terrível e dolorosa busca. Sabia, também, que o primeiro passo que desse colocaria em movimento sua máquina de viver e ele teria, mesmo como um autômato, de sair, andar, fazer coisas, distanciar-se dela cada vez mais, cada vez mais. E no entanto ali estava, a poucos passos, sua forma feminina que não era nenhuma outra forma feminina, mas a dela, a mulher amada, aquela que ele abençoara com os seus beijos e agasalhara nos instantes do amor de seus corpos. Tentou imaginá-la em sua dolorosa mudez, já envolta em seu espaço próprio, perdida em suas cogitações próprias - um ser desligado dele pelo limite existente entre todas as coisas criadas.
De súbito, sentindo que ia explodir em lágrimas, correu para a rua e pôs-se a andar sem saber para onde...
Vinicius de Moraes
enviada por Eloisa Lopes.
07/05/2004 22:20
Minha mais recente criação:::::::
Os tempos/Esses tempos
Foi com muita alegria que eu te vi entrar de súbito pela sala, já me acostumando com sua presença desordenada em minha vida, julgando-me já condenada às infinitas e delirantes sutilezas de que é feito o amor.
Foi com inocência que eu senti seu olhar oblíquo sobre mim, emanando um tipo de preocupação e zelo, sentimentos incompreensíveis naquele instante em que tudo parecia suceder como sempre sucedeu. Trocamos ondas de desespero e aflição, quando tudo desviava de seu segmento normal e pertencíamos a um espaço deveras confuso do qual sairíamos logo. Vi meu coração saltar quando você por0 fim abriu sua boca para livrar-nos de vez do tormento que nos afligia.
Foi quando eu tinha enfim coragem para dizer eu te amo. Foi aí que você olhou pra baixo, pro lado, pra qualquer lugar que não me achasse, e disse com suas palavras tão metamórficas: Já não te amo mais e..., num tom como que tentando, em vão, manter aquilo tudo num nível humanamente tolerável, e já se distanciando de meu semblante, que pedia descaradamente para que você não concluísse seu ato, embora soubéssemos, os dois, que era inevitável o fim.
Foi com desesperança que eu vi suas costas tão imponentes sobre mim, muralhas transpostas no seu corpo, cada vez mais te distanciando e para a vida, fazendo desabar todas suas palavras e teses, que eu tinha pra mim como um alento de minha alma.
Foi quando eu já estava presa às suas coisas, aos seus cheiros, suas texturas, seus tons, seus sentidos, foi então que você as arrancou de mim brutalmente, e eu fiquei tão abandonada por aqui, nestes lados mais lamuriosos da vida. Sentindo intimamente tudo e todos me ferindo com exatidão a alma.
Foi sutilmente que as coisas ao meu redor foram tornando-se tristes, os móveis esquálidos me olhando com pena, a janela insistentemente aberta, deixando entrar o ar tão infecundo da nostalgia, as luzes pálidas que me machucavam a face; as coisas, todas elas, a partir dali tomaram por si outro sentido. Minha vida por si tomou outro sentido
Foi dentro de você que se deu esta mudança que se refletiu em mim como a agonia da partícula solta no espaço, como a infelicidade de uma folha em branco, como a própria vida: sofre e é feliz por si somente, meramente por existir.
Foi neste exato momento que aconteceu...No instante em que as matérias se separaram, os núcleos se dividiram e deu-se assim o limite racional entre duas coisas distintas.
E então eu me vi só, diante * mim mesma livre e plácida, vazia e frágil, e diante * uma folha. Eu me espelhei, pude então me derramar toda sobre ela e descansar enfim.
Rio, 04/05/04.
enviada por Eloisa Lopes.
29/04/2004 17:22
Este texto de Luis Fernando Veríssimo está rodando na NET, mas é sempre bom reler...
A Impontualidade do Amor
Você está sozinha. Você e a torcida do Flamengo. Em frente à tevê, devora dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.
Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por telepatia.
Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde demais e encontrar você desiludida da vida, desconfiada, cheia de olheiras.
O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa? Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que você está empregada, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasada porque não foi pra praia no final de semana.
Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se uma ET perdida na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida.
O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa.
O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, ao seu lado, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.
A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, as quatro da tarde, depois de uma discussão e as flores vão chegar no dia que você tirar carteira de motorista, depois de aprovada no teste de baliza.
Idealizar é sofrer. Amar é surpreender.
Luís Fernando Veríssimo
enviada por Eloisa Lopes.
27/04/2004 17:52
Para começar postando bem, começo aki com Clarice Lispector, a mulher mais intrigante que já existiu...Dizia ela que não, que era uma mulher como qualquer outras, que a mitificaram...Simplesmente Maravilhosa, perfeita.
Maravilhosa poesia da Clarice, a qual sinto que foi feita pra me alfinetar...Bem como uma indireta...
MAS HÁ A VIDA
Mas há a vida
que é para ser
intensamente vivida,
há o amor.
Que tem que ser vivido
até a última gota.
Sem nenhum medo.
Não mata.
Clarice Lispector
enviada por Eloisa Lopes.
27/04/2004 17:33
Descrição exática...A grandeza dos detalhes...
enviada por Eloisa Lopes.
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